Como calcular emissões de logística terrestre: guia para fretes, transportadoras e entregas

Este guia irá te acompanhar em todas as etapas do cálculo da pegada de CO2 da logística terrestre da sua empresa, desde a definição de objetivos até o cálculo, independente de ser realizada por veículos próprios, transportadoras ou Correios.

A logística é uma das fontes de emissões mais relevantes para muitas empresas. Mesmo quando a frota não é própria, os fretes contratados, entregas para clientes, coletas, transferências entre centros de distribuição e transportes terceirizados podem representar uma parte importante da pegada de carbono da operação.

Por isso, calcular as emissões de logística terrestre não é apenas uma etapa técnica do inventário de gases de efeito estufa. Esse cálculo ajuda a empresa a responder clientes, priorizar ações de redução, comparar fornecedores, acompanhar metas climáticas e comunicar resultados com mais transparência.

Neste guia, explicamos como calcular emissões de GEE em logística terrestre, com foco em transporte rodoviário de cargas, usando métodos alinhados ao GHG Protocol, ao Programa Brasileiro GHG Protocol, à ISO 14083 e ao GLEC Framework.

Ao longo do texto, você verá:

  • Onde as emissões de logística entram no inventário;
  • Quais dados precisam ser levantados;
  • Quando usar cálculo por combustível ou por distância;
  • Como tratar fretes dedicados e fracionados;
  • Como calcular emissões por cliente, rota ou entrega;
  • Quais cuidados tomar antes de falar em logística carbono neutro.

Parte 1 — O que você precisa saber antes de começar

Antes de aplicar fórmulas ou buscar fatores de emissão, é importante entender o contexto do cálculo. Muitas inconsistências em inventários de logística não acontecem na conta em si, mas nas decisões anteriores: qual operação entrou no escopo, qual categoria do inventário foi usada, qual método foi escolhido e quais premissas foram adotadas.

Esta primeira parte organiza os principais pontos que devem estar claros antes do cálculo.


1. Onde as emissões de logística entram no inventário?

Uma dúvida comum é: as emissões de frete entram em qual escopo do inventário?

A resposta depende de quem opera o transporte, quem paga pelo serviço e qual é a fronteira da operação.

SituaçãoClassificação mais comum no inventário
Frota própria da empresaEscopo 1
Combustível consumido por veículos próprios ou controlados pela empresaEscopo 1
Transporte terceirizado contratado e pago pela empresaEscopo 3 Categoria 4
Transporte inbound de matérias-primas ou produtos comprados, quando terceirizadoEscopo 3 Categoria 4
Transporte outbound contratado pela empresa para entregar produtos vendidosEscopo 3 Categoria 4
Transporte e distribuição após a venda, quando não pagos ou controlados pela empresa reportanteEscopo 3 Categoria 9
Armazenagem terceirizada associada à distribuiçãoPode entrar em Categoria 4 ou 9, conforme a fronteira

Essa distinção é importante porque evita dupla contagem, melhora a consistência do inventário e ajuda a empresa a comunicar corretamente suas emissões.

Por exemplo: se uma empresa vende um produto e contrata uma transportadora para entregá-lo ao cliente, esse frete tende a ser reportado como Escopo 3 Categoria 4. Já se o transporte acontece depois da venda e não é pago nem controlado pela empresa reportante, ele pode estar mais próximo da Categoria 9.


2. Qual é o objetivo do cálculo?

O cálculo de emissões quase nunca é um fim em si mesmo. Em geral, ele serve para apoiar uma decisão, um reporte ou uma ação de sustentabilidade.

Por isso, antes de levantar dados, é importante definir o objetivo do cálculo. Essa decisão influencia o nível de detalhe necessário, os dados que precisam ser coletados e o método mais adequado.

Inventário corporativo de GEE

Quando o objetivo é elaborar o inventário anual de emissões da empresa, o foco costuma ser consolidar as emissões por escopo, categoria, fonte e período.

Nesse caso, é essencial garantir rastreabilidade dos dados, fatores de emissão e premissas utilizadas. O resultado precisa ser defensável, mesmo que nem todos os dados estejam disponíveis no maior nível de detalhe possível.

Reporte de emissões para clientes

É cada vez mais comum que transportadoras, operadores logísticos e empresas com entregas recorrentes sejam questionadas por clientes sobre a pegada de carbono dos fretes realizados.

Nesse caso, o resultado esperado normalmente é um relatório com as emissões associadas aos serviços prestados para um cliente, grupo de clientes, contrato, rota ou período específico.

O principal desafio está no rateio das emissões. Para reportar emissões por cliente ou por entrega, a empresa precisa de dados mais granulares, como distância percorrida, peso da carga, tipo de veículo, combustível utilizado e, em operações fracionadas, algum critério de alocação.

Gestão e redução de emissões

Quando o objetivo é reduzir emissões, o cálculo precisa ajudar a responder perguntas mais operacionais:

  • quais rotas mais emitem?
  • quais modais, veículos ou fornecedores concentram maior impacto?
  • qual é o efeito de melhorar a ocupação dos veículos?
  • quanto poderia ser reduzido com roteirização, eletrificação, biocombustíveis ou mudança de modal?
  • qual foi o impacto real das ações implementadas?

Nesse caso, um cálculo recorrente e mais detalhado pode ser uma ferramenta importante para gestão. Ele permite acompanhar emissões por rota, unidade, cliente, fornecedor, modal, veículo ou tipo de combustível.

Compensação de emissões residuais

A compensação pode ser usada para lidar com emissões residuais, isto é, emissões que ainda não puderam ser reduzidas com medidas operacionais viáveis.

Mas é importante ter cuidado com a comunicação. Antes de falar em “logística carbono neutro” ou “frete carbono neutro”, a empresa deve ter clareza sobre:

  • qual escopo foi calculado;
  • qual período está coberto;
  • qual metodologia foi usada;
  • quais emissões foram reduzidas;
  • quais emissões foram compensadas;
  • quais créditos foram aposentados;
  • quais evidências estão disponíveis.

Na prática, uma boa comunicação climática deve deixar claro que a compensação não substitui a redução de emissões. Ela complementa uma estratégia que começa pela medição, passa pela redução e só depois considera a compensação das emissões residuais.


3. Quais padrões e metodologias usar?

Existem diferentes referências para cálculo de emissões de transporte e logística. Para empresas brasileiras, a base mais comum é o Programa Brasileiro GHG Protocol, que adapta o método GHG Protocol ao contexto nacional e disponibiliza ferramentas de cálculo.

Para operações logísticas mais complexas, especialmente com múltiplos modais, fornecedores, hubs e reportes para clientes internacionais, também vale considerar a ISO 14083 e o GLEC Framework.

GHG Protocol e Programa Brasileiro GHG Protocol

O GHG Protocol é uma das principais referências globais para elaboração de inventários corporativos de gases de efeito estufa.

No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol adapta essa abordagem ao contexto nacional e disponibiliza ferramentas de cálculo para estimativas de emissões.

Para logística terrestre, essas ferramentas ajudam a estimar emissões a partir de dados como combustível consumido, distância percorrida, categoria do veículo, peso transportado e fatores de emissão.

ISO 14083

A ISO 14083:2023 estabelece uma metodologia comum para quantificação e reporte de emissões de GEE de cadeias de transporte de passageiros e cargas.

Ela é especialmente relevante para empresas que precisam reportar emissões logísticas de forma comparável, documentada e alinhada a uma referência internacional.

GLEC Framework

O GLEC Framework, desenvolvido pelo Smart Freight Centre, é uma referência prática para contabilização e reporte de emissões de logística.

Sua versão mais recente está alinhada à ISO 14083 e cobre diferentes modais de transporte, hubs logísticos e cadeias de transporte multimodais.

Para empresas que trabalham com transporte internacional, operadores logísticos, fretes multimodais ou clientes globais, o GLEC pode ajudar a estruturar o cálculo de forma mais robusta.


4. Quais dados são melhores?

A qualidade do cálculo depende diretamente da qualidade dos dados disponíveis.

Em geral, a hierarquia recomendada é:

NívelTipo de dadoExemploComentário
1Dado primário realcombustível consumido, telemetria, dados reais da transportadoraMelhor opção quando disponível
2Dado operacional estimadodistância real ou roteirizada, peso, veículo, rotaBoa alternativa para cálculo por entrega ou cliente
3Dado médio/defaultfator médio por tipo de veículo, carga média, distância estimadaÚtil quando há dados limitados
4Spend-basedvalor gasto com freteDeve ser usado apenas quando não há dados físicos suficientes

Na prática, os dois métodos mais usados são o cálculo por combustível e o cálculo por distância.

O método por combustível tende a ser mais preciso quando há dados confiáveis de consumo. Já o método por distância costuma ser mais viável quando a empresa precisa calcular emissões por cliente, rota, nota fiscal ou entrega, mas não tem consumo de combustível nesse nível de detalhe.


5. Frete dedicado vs frete fracionado

No transporte rodoviário de cargas, uma das distinções mais importantes é entre fretes dedicados e fretes fracionados.

Essa diferença muda a forma de calcular e alocar emissões.

Fretes dedicados — FTL

FTL significa Full Truck Load. Nesse modelo, um ou mais veículos são usados para transportar bens de uma única empresa ou cliente.

Exemplos:

  • um caminhão dedicado para levar produtos de uma fábrica até um centro de distribuição;
  • uma carga fechada de um fornecedor para uma unidade da empresa;
  • uma rota exclusiva de entrega para determinado cliente.

Nesse caso, as emissões da viagem normalmente são atribuídas integralmente à empresa, cliente, contrato ou operação que utilizou o veículo.

Fretes fracionados — LTL

LTL significa Less than Truck Load. Nesse modelo, um mesmo veículo transporta cargas de diferentes empresas, pedidos ou clientes na mesma viagem.

Exemplos:

  • transportadora que consolida cargas de vários clientes no mesmo caminhão;
  • transferência entre centros de distribuição com cargas de múltiplos clientes;
  • entrega compartilhada em que a ocupação do veículo é dividida entre diferentes embarcadores.

Nesse caso, as emissões precisam ser rateadas. O critério mais comum é alocar emissões proporcionalmente à carga transportada, geralmente usando peso, peso cubado ou outro indicador físico representativo.


Parte 2 — Passo a passo para calcular emissões de logística terrestre

Depois de definir escopo, objetivo, metodologia e tipo de operação, é hora de estruturar o cálculo.

Os passos abaixo foram organizados para funcionar tanto para empresas com frota própria quanto para empresas que contratam transportadoras, Correios, motoboys ou operadores logísticos.


Passo 1 — Defina a fronteira do cálculo

O primeiro passo é definir exatamente o que será incluído.

Algumas perguntas úteis:

  • o cálculo cobre apenas transporte terrestre ou também outros modais?
  • inclui frota própria?
  • inclui transportadoras terceirizadas?
  • inclui Correios, motoboys ou entregas expressas?
  • considera inbound, outbound ou ambos?
  • inclui transferência entre centros de distribuição?
  • inclui coleta e last-mile?
  • inclui armazenagem ou apenas transporte?
  • qual período será analisado?
  • o cálculo será consolidado ou segmentado por cliente, rota, unidade ou entrega?

Essa decisão deve ser documentada, porque ela define o que o resultado representa.

Por exemplo, dizer que uma empresa calculou “emissões de logística” pode ser genérico demais. É melhor indicar que o cálculo cobriu “emissões de transporte rodoviário terceirizado contratado pela empresa para entregas outbound no ano de 2025”.


Passo 2 — Mapeie os tipos de operação logística

Depois de definir a fronteira, mapeie como a operação acontece.

Classifique os transportes por tipo:

Tipo de operaçãoExemplosObservação para cálculo
Frota própriaveículos operados pela empresanormalmente Escopo 1
Transportadora dedicadacarga fechada, rota exclusivaemissões atribuídas integralmente
Transportadora fracionadacargas compartilhadasexige critério de rateio
Correiosencomendas por CEPdistância pode ser estimada
Motoboy ou entrega urbanaentregas locaispode exigir fator específico ou premissa
Transferência entre CDsmovimentação interna ou terceirizadadepende de quem opera e paga
Last-mileentrega final ao consumidorpode ter método próprio pela complexidade

Esse mapeamento ajuda a evitar que operações muito diferentes sejam tratadas como se fossem iguais.


Passo 3 — Escolha o método de cálculo

Com a operação mapeada, escolha o método mais adequado.

Método 1: fuel-based

O método fuel-based calcula emissões a partir da quantidade de combustível consumida.

Ele tende a ser o método mais preciso quando a empresa tem dados confiáveis de consumo, como notas fiscais de combustível, abastecimentos por veículo, telemetria ou relatório da transportadora.

Use esse método quando você tiver:

  • tipo de combustível;
  • quantidade consumida;
  • período, rota ou veículo associado;
  • fator de emissão aplicável.

Método 2: distance-based

O método distance-based calcula emissões a partir da distância percorrida e de características da operação, como tipo de veículo e peso transportado.

Ele deve ser usado quando a empresa não tem dados confiáveis de consumo de combustível, mas consegue obter informações como distância, categoria do veículo e peso da carga.

Use esse método quando você tiver:

  • distância percorrida ou estimada;
  • tipo ou categoria de veículo;
  • peso da carga, especialmente em fretes fracionados;
  • fator de emissão por km ou por t.km.

Método 3: spend-based

O método spend-based estima emissões a partir do valor gasto com o serviço.

Ele pode ser útil quando não há dados físicos suficientes, mas deve ser tratado como uma alternativa de menor precisão. Para logística, sempre que possível, prefira dados físicos como combustível, distância, peso e tipo de veículo.


Passo 4 — Levante os dados necessários

A coleta de dados deve seguir o método escolhido.

Checklist de dados

DadoFuel-basedDistance-basedFrete fracionado
Tipo de combustívelSimRecomendadoRecomendado
Quantidade de combustívelSimNãoSe disponível
Distância percorridaOpcionalSimSim
Tipo ou categoria do veículoRecomendadoSimSim
Peso da cargaNão obrigatório para dedicadoRecomendadoSim
Volume ou dimensões da cargaOpcionalOpcionalRecomendado
Peso cubadoOpcionalOpcionalRecomendado
Cliente, rota, pedido ou nota fiscalSe houver rateioSe houver segmentaçãoSim
Data ou período da operaçãoSimSimSim
Origem e destinoRecomendadoSimSim

Fontes comuns de dados

DadoFonte comum
Combustível consumidonotas fiscais, cartão combustível, telemetria, controle de abastecimento
Distância percorridaTMS, GPS, hodômetro, roteirizador, CEP de origem e destino
Tipo de veículocadastro da frota, transportadora, contrato
Peso da carganota fiscal, pedido, TMS, transportadora
Volume ou dimensõespedido, nota fiscal, sistema logístico
Cliente ou rotaERP, CRM, TMS, planilha interna
Entregas por Correiossistema dos Correios, recibos, CEPs, peso e dimensões

Para logística terceirizada, a melhor fonte costuma ser o próprio fornecedor. Mesmo assim, vale revisar a metodologia usada pela transportadora, especialmente se ela já entregar emissões calculadas.

Pergunte:

  • qual padrão metodológico foi usado?
  • quais fatores de emissão foram aplicados?
  • o cálculo é por combustível, distância ou gasto?
  • as emissões incluem apenas transporte ou também armazenagem?
  • o resultado está em CO₂ ou CO₂e?
  • há separação por cliente, rota ou nota fiscal?
  • quais premissas foram usadas para rateio?

Essa revisão é importante para evitar inconsistências no inventário e garantir que o dado recebido possa ser auditado ou explicado depois.


Passo 5 — Calcule emissões de fretes dedicados

Fretes dedicados são mais simples de calcular porque a viagem está associada a uma única empresa, cliente ou operação.

Frete dedicado por combustível

Use quando houver dado de combustível consumido.

Emissões (kgCO₂e) =
quantidade de combustível consumido × fator de emissão do combustível

Exemplo:

Emissões (kgCO₂e) =
litros de diesel consumidos × kgCO₂e por litro de diesel

Frete dedicado por distância

Use quando não houver dado confiável de combustível, mas houver distância percorrida e categoria do veículo.

Emissões (kgCO₂e) =
distância percorrida (km) × fator de emissão do veículo (kgCO₂e/km)

Esse método pode ser usado, por exemplo, para estimar emissões de uma rota dedicada entre uma fábrica e um centro de distribuição.


Passo 6 — Calcule emissões de fretes fracionados

Fretes fracionados exigem uma etapa adicional: o rateio das emissões.

Como o veículo transporta cargas de diferentes clientes, pedidos ou empresas, não é correto atribuir toda a emissão da viagem a uma única carga.

Frete fracionado por combustível

Use quando houver consumo de combustível da rota ou viagem e for necessário alocar as emissões entre cargas.

Emissões da carga (kgCO₂e) =
quantidade de combustível consumido × fator de emissão do combustível ×
(carga da empresa ou cliente ÷ carga total transportada no veículo)

Esse método é útil quando a empresa sabe o consumo total da viagem, mas precisa alocar as emissões entre diferentes cargas, clientes ou pedidos.

Frete fracionado por distância

Use quando houver distância, peso da carga e fator de emissão por tonelada-quilômetro.

Emissões (kgCO₂e) =
distância percorrida (km) × peso da carga (t) × fator de emissão do veículo (kgCO₂e/t.km)

Esse método é muito útil para estimar emissões por entrega, cliente, rota ou pedido, especialmente quando o consumo de combustível não está disponível nesse nível de detalhe.


Passo 7 — Revise premissas e qualidade dos dados

Antes de fechar o cálculo, revise as premissas utilizadas.

Um bom cálculo deve documentar:

  • fonte dos dados de atividade;
  • período calculado;
  • operações incluídas e excluídas;
  • método de cálculo utilizado;
  • fatores de emissão aplicados;
  • ano e versão da ferramenta ou base de fatores;
  • premissas de distância;
  • categoria de veículo usada;
  • critério de rateio;
  • uso de peso real, volume ou peso cubado;
  • arredondamentos;
  • limitações conhecidas.

Essa revisão é importante porque dois cálculos podem chegar a resultados diferentes não por erro matemático, mas por diferenças de fronteira, dados ou premissas.


Passo 8 — Gere o relatório e use o resultado

Depois do cálculo, organize o resultado em um formato que permita decisão e comunicação.

Um bom relatório de emissões de logística deve indicar:

  • emissões totais em kgCO₂e ou tCO₂e;
  • emissões por escopo ou categoria;
  • emissões por fornecedor, cliente, rota ou unidade, quando aplicável;
  • método utilizado;
  • dados considerados;
  • fatores de emissão;
  • premissas e limitações;
  • oportunidades de redução;
  • evidências disponíveis.

O resultado pode ser usado para:

  • inventário corporativo de GEE;
  • reporte para clientes;
  • comparação entre fornecedores logísticos;
  • priorização de rotas e operações;
  • acompanhamento de metas climáticas;
  • avaliação de projetos de redução;
  • compensação de emissões residuais;
  • comunicação em relatórios, propostas e eco-selos.

Exemplo prático: cálculo de emissões em frete fracionado

Imagine uma transportadora que realizou fretes fracionados para três clientes no último mês. Ela não tem o consumo de combustível por entrega, mas possui distância, peso da carga, categoria de veículo e fator de emissão por tonelada-quilômetro.

Dados do exemplo

ClienteDistânciaPeso da cargaCategoria de veículoFator de emissão
Cliente A100 km0,5 tCaminhão rígido 3,5 a 7,5 t0,46124 kgCO₂e/t.km
Cliente B100 km0,2 tCaminhão rígido 3,5 a 7,5 t0,46124 kgCO₂e/t.km
Cliente C50 km0,1 tVan classe I0,77215 kgCO₂e/t.km

Fórmula

Emissões (kgCO₂e) =
distância (km) × peso da carga (t) × fator de emissão (kgCO₂e/t.km)

Resultado

ClienteCálculoEmissões
Cliente A100 × 0,5 × 0,4612423 kgCO₂e
Cliente B100 × 0,2 × 0,461249 kgCO₂e
Cliente C50 × 0,1 × 0,772154 kgCO₂e

Os valores foram arredondados para facilitar a leitura. Em um cálculo real, o ideal é manter as casas decimais na base de cálculo e arredondar apenas no relatório final.


Como reduzir emissões de logística terrestre

Depois de medir, a empresa pode usar o resultado para priorizar ações de redução.

Algumas iniciativas comuns incluem:

Otimização de rotas

Reduzir quilômetros rodados, evitar retornos vazios e melhorar a sequência das entregas pode diminuir consumo de combustível e emissões sem exigir grandes mudanças na frota.

Melhor ocupação dos veículos

Aumentar a taxa de ocupação reduz emissões por tonelada transportada. Em muitos casos, consolidar cargas ou substituir fretes dedicados por fracionados pode diminuir emissões por entrega.

Troca de modal

Quando possível, substituir transporte aéreo por rodoviário, ferroviário ou multimodal pode reduzir significativamente as emissões. A viabilidade depende de prazo, custo, infraestrutura e criticidade da carga.

Renovação e eficiência da frota

Veículos mais eficientes, manutenção preventiva, pneus adequados, direção econômica e monitoramento de consumo podem reduzir emissões da frota própria.

Eletrificação e combustíveis alternativos

Veículos elétricos, biocombustíveis e outras alternativas podem reduzir emissões, especialmente em operações urbanas e last-mile. Porém, a análise deve considerar disponibilidade, custo, infraestrutura de recarga ou abastecimento e perfil operacional.

Gestão de fornecedores

Para empresas com logística terceirizada, a redução passa por engajar transportadoras, comparar desempenho, solicitar dados melhores e incluir critérios climáticos na contratação.


Como comunicar resultados com transparência

A comunicação deve ser proporcional ao nível de qualidade do cálculo.

Evite declarações genéricas como “frete sustentável” ou “logística carbono neutro” sem explicar exatamente o que foi medido, reduzido e compensado.

Um bom relatório ou declaração de emissões de logística deve indicar:

  • período calculado;
  • escopo e fronteira da operação;
  • modais incluídos;
  • fontes de dados;
  • método utilizado;
  • fatores de emissão;
  • premissas e limitações;
  • critérios de rateio;
  • resultado em kgCO₂e ou tCO₂e;
  • ações de redução implementadas ou planejadas;
  • eventual compensação de emissões residuais.

Uma comunicação mais segura seria:

As emissões de GEE associadas aos fretes terrestres realizados no período foram calculadas em CO₂e, com base em distância percorrida, peso transportado e fatores de emissão aplicáveis. As emissões residuais foram compensadas por meio da aposentadoria de créditos de carbono, conforme evidências disponíveis.

Essa abordagem é mais transparente e reduz o risco de greenwashing.


Como a YESG pode ajudar

Calcular emissões de logística pode parecer simples quando olhamos apenas para as fórmulas. Mas, na prática, os principais desafios costumam estar nos dados: organizar informações de diferentes fornecedores, corrigir bases inconsistentes, definir critérios de rateio, documentar premissas e transformar o resultado em um relatório claro.

A YESG ajuda empresas a medir, organizar e reportar emissões de logística terrestre e outras fontes do inventário de GEE, com uma abordagem prática e adequada ao nível de maturidade da operação.

Com a plataforma da YESG, sua empresa pode:

  • calcular emissões de fretes, entregas e transporte rodoviário;
  • organizar dados por cliente, unidade, rota ou período;
  • acompanhar emissões de forma recorrente;
  • gerar relatórios com premissas e evidências;
  • identificar oportunidades de redução;
  • compensar emissões residuais com créditos de carbono, quando fizer sentido;
  • comunicar resultados com mais transparência.

Se sua empresa precisa calcular emissões de logística, responder clientes ou estruturar um inventário de GEE mais completo, fale com o time da YESG.


Perguntas frequentes

O que significa CO₂e?

CO₂e significa dióxido de carbono equivalente. É uma unidade usada para expressar diferentes gases de efeito estufa em uma base comum, considerando seu potencial de aquecimento global.

Qual é a diferença entre CO₂ e CO₂e?

CO₂ é apenas o dióxido de carbono. CO₂e considera também outros gases de efeito estufa, como metano e óxido nitroso, convertidos para uma unidade comum.

Frete terceirizado entra no Escopo 3?

Na maioria dos casos, sim. Quando a empresa contrata e paga por transporte terceirizado, essas emissões geralmente entram no Escopo 3 Categoria 4. Quando o transporte acontece após a venda e não é pago nem controlado pela empresa reportante, pode entrar na Categoria 9.

O melhor método é por combustível ou por distância?

Quando há dados confiáveis de combustível, o método por combustível tende a ser mais preciso. Quando a empresa precisa calcular emissões por entrega, cliente ou rota, e não tem consumo de combustível nesse nível de detalhe, o método por distância costuma ser mais viável.

Posso usar CEP para estimar distância?

Sim, desde que a limitação seja documentada. A distância estimada por CEP ou roteirizador pode ser usada quando não há dado real de quilometragem, mas o ideal é indicar essa premissa no relatório.

Preciso saber o tipo de veículo?

Para cálculos por distância, sim, porque o fator de emissão depende da categoria do veículo. Quando o tipo de veículo não está disponível, pode ser necessário usar uma categoria média ou premissa conservadora.

O que é peso cubado?

Peso cubado é uma forma de estimar o espaço ocupado por uma carga a partir do seu volume. Ele é útil para cargas leves e volumosas, que ocupam muito espaço no veículo mesmo tendo baixo peso real.

Posso dizer que minha logística é carbono neutro?

Só com cuidado. Antes de fazer esse tipo de declaração, é importante calcular as emissões, documentar a metodologia, reduzir o que for possível e compensar emissões residuais com créditos rastreáveis e aposentados. A comunicação deve explicar claramente o escopo e as evidências.


Referências metodológicas

  • GHG Protocol. Technical Guidance for Calculating Scope 3 Emissions — Category 4: Upstream Transportation and Distribution. Disponível em: https://ghgprotocol.org/sites/default/files/2022-12/Chapter4.pdf
  • GHG Protocol. Technical Guidance for Calculating Scope 3 Emissions. Disponível em: https://ghgprotocol.org/sites/default/files/standards/Scope3_Calculation_Guidance_0.pdf
  • Programa Brasileiro GHG Protocol — FGVces. Disponível em: https://eaesp.fgv.br/centros/centro-estudos-sustentabilidade/projetos/programa-brasileiro-ghg-protocol
  • ISO 14083:2023. Greenhouse gases — Quantification and reporting of greenhouse gas emissions arising from transport chain operations. Disponível em: https://www.iso.org/standard/78864.html
  • Smart Freight Centre. Global Logistics Emissions Council Framework for Logistics Emissions Accounting and Reporting. Disponível em: https://www.smartfreightcentre.org/en/our-programs/emissions-accounting/global-logistics-emissions-council/
  • Smart Freight Centre. Calculate & Report: GLEC Framework. Disponível em: https://www.smartfreightcentre.org/en/our-programs/emissions-accounting/global-logistics-emissions-council/calculate-report-glec-framework/

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